Para quem lembra dos seus
- Comunicação ABMLuto
- 02/11/2025
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Dia de finados
“Se o vento te levou, o tempo é sua morada” Francisco El Hombre
Hoje pode ser um dia de memórias. De recordar nossos amores que já morreram: cheiros, texturas, movimentos, timbres de voz, gestos, costumes que reacendem lembranças. Músicas, textos ou imagens podem compor este dia, embalando momentos que foram vividos. O tempo que passou guarda uma história compartilhada entre vidas humanas. O Dia de Finados convoca,em muitos, o sentimento de pesar. Pesar pela morte que raramente parece chegar na hora devida, porque há um tempo próprio a ser tecido.
Os rituais – apesar de o nome carregar, por vezes, certa formalidade – são modos de vivermos os momentos de perda, canalizando a dor e a saudade por meio de objetos, palavras e atitudes. Pode ser a praia que a pessoa gostava de ir, a música que escutava, os sabores que experimentava. Momentos e elementos cheios de afeto e que partilhamos no tempo em que estivemos juntos. Em algumas tradições, as religiões também sugerem rituais específicos para os tempos do luto, práticas que ajudam a cuidar do sentimento de pesar na comunidade. A religiosidade pode ocupar um lugar de consolo, a fé pode servir de abrigo, a espiritualidade pode ser um lugar de sentido. O simbolismo desta data pode permitir uma oportunidade de se conectar às perdas, mesmo àquelas pessoas que não encontrem na religiosidade um lugar de conforto.
A morte nos lembra do princípio da impermanência – essa mudança constante que nos acompanha todos os dias. Mudança que pode abalar nossas crenças mais profundas, colocando em dúvida tudo o que construímos ao longo das nossas experiências. Neste tempo, costumamos receber a visita de muitos sentimentos, que colorem nosso mundo emocional em tons que variam conforme as memórias evocadas, apontando que a vida é múltipla e intensa. Talvez, ao mantermos a porta aberta, possamos permitir que as emoções ventilem e que o vínculo que tínhamos com nosso ente querido siga encontrando um modo de nos acompanhar.
Comitê de Espiritualidade da ABMLuto composto pelas psicólogas Claudia Comaru, Daniela Pupo, Raquel Saad, Juliana Brito.
Imagem de Nila Maria

